terça-feira, 14 de julho de 2009

Rosas e estrelícias


Hoje o Sol brilhou, mesmo sem conseguir penetrar na densa nebulosa que o encobre.
Nesta dança de rosas e estrelícias faço rodar este vestido de recordações e certezas, que teci a cada dia da minha existência.
Danço entre os teus braços para que me agarres perante um qualquer desequilíbrio. Olhas o meu vestido e os teus olhos rodam ao seu ritmo.
Hoje o Sol está quente, ferve na pele.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Conto-te


Conto as estrelas da noite, perco-me e encontro-me, somo e subtraiu até dar resto zero esta divisão una.
Conto as ondas do mar, riu e choro, vou e venho até encontrar o porto seguro do meu ser.
Conto e reconto, os beijos que trocamos, os abraços que demos, as promessas que fizemos na esperança de multiplicar cada parcela desta união.
Vou render-me à manhã solarenga .Vestir o meu vestido branco, soltar os meus caracóis, voar.
Vou render-me ao dia em que o meu olhar encontrou o teu, o meu sorriso terminou no teu e senti o coração disparar.
Vou render-me à rosa vermelha que me ofereceste, às surpresas que me preparaste, à paisagem da nossa praia e entregar-me a ti.
A orientação perdi-a, a bússola de quatro passou a um ponto cardeal. A ti.
Vou render-me a mim mesma.
Dá-me a mão e fecha os olhos. Sente este amor que cresce e cresce na esperança que a distância não te impeça de o sentir a cada manhã e a cada anoitecer.
Sente o ritmo do meu coração, sente a dança deste amor .
Sente-me, meu bem. Sente a canção que te embala.
Boa noite, meu amor.

sábado, 9 de maio de 2009

Saudade do Mar


A chuva passa, deixa o cheiro a terra molhada, quando só quero sentir o cheiro a areia banhada pelo sal do mar.
Momentos estes em que a inspiração me foge, rodopia por entre os meus pensamentos sem se deixar apanhar, só me resta agarrar este sentimento maior do que eu.
Brinda o anoitecer com o teu sorriso e prometo não pedir-te mais nada.
Sorriso de mil estrelas, de todos os céus azuis, de todos os dias quentes e frios, de todos os dias da minha vida.
Momentos estes em que a inspiração me foge, nunca serão suficientes para roubarem estas sílabas que por serem para ti, sobre ti, fluem segundo as leis naturais.
Deixaste a tua presença em todos os cantos e recantos desta casa, tal como já tinhas feito antes, dou por mim a sentir-te presente nesta tua ausência.
Entre a tua partida e a tua chegada, o meu olhar evita sempre o fim daquela estrada por onde viajas , por onde vens e vais. Entre a tua partida e a tua chegada, sinto-me perdida.
Segues o ritmo do mar, vens e vais, e entre o ir e o vir, inundas-me com todo esse ser, pelo qual anseio ter lado a lado com o meu a cada segundo.
Não demores no teu ir e vem depressa, porque me perco em saudades e lágrimas. Não demores porque quero ser feliz, dançar e cantar só para te ver sorrir, fazendo da vida o cenário deste nosso amor.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Rede de vida


Deitada na rede de pano deixo o meu corpo baloiçar, o meu cabelo brincar com o vento, e o meu vestido dançar com o ar.
Fecho os olhos. Sonho e acordo.
Deixo que o Sol encontre a minha pele, espero que me aqueça por dentro e por fora. Talvez assim, se distribua em mim este lume de receios que enche o meu coração.
Agarrar em tudo quanto amo e quero bem. Proteger, cuidar e fazer feliz.
Faço com que a rede balance mais do que o peso do meu corpo a faz mover. Ao alcance dos meus olhos, a nuvem branca aparece e desaparece à medida que a rede vai e vem.
Secretamente, desejo intimamente poder ser eu a ditar o vai e vem da vida. Indo tudo o que de mal viesse, vindo tudo o que de bom está para vir.
São muitos os caminhos por onde posso seguir, mas juro escolher os que mais perto de vocês me levarem. Neste vai e vem da vida.

Palavras

As palavras ecoam na mente.Leves, soltas, sós.
Somam-se ao vazio e silenciosamente gritam. Não vão mais além.
Os nós apertados soltam-se, o significado perde-se no ar, o horizonte desaparece.
A janela insiste em não abrir e mais nada ecoa nem voa.
Os passos desvanecem por entre o algodão, ninguém está presente.
O céu está mais alto, o futuro mais longe, o presente mais pesado.
Só as palavras ecoam na mente. Leves, soltas, sós.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Faz-me tua

Fecho os olhos e é como se ganhasse asas. Os pensamentos levam-me exactamente onde quero ir.
Sinto a areia, oiço o mar, solto gargalhadas e faço corridas em direcção ao infinito finito.
Sinto o Sol queimar-me a pele, tatuando o biquini nos contornos do meu corpo.
Os pensamentos levam-me onde quero ir e ser o que não quero, mas posso ser.
E ali, onde estou, não sou de ninguém. Sou minha, sou eu.
Dou grandes passeios e grandes mergulhos. Faço castelos na areia, sem príncipes nem princesas. Salto e danço. Caío e levanto-me porque a areia é movediça. Sorriu e riu, mas não me dou, porque sou minha, sou eu.
Ao abrir os olhos, perco as asas e sopro as penas. Vou deitar-me, mas não fecho os tapasóis, vejo e sonho estrelas e luas. E os sonhos levam-me exactamente onde quero ir e ser o que não quero, mas posso ser.
A saltar de nuvem em nuvem o Sol e a Lua em sopro de segredo confessam-me serem amantes eternos, como seria de desconfiar pelo lume que queima em cada um dos seus encontros, em cada eclipse.
A saltar de nuvem em nuvem o Sol e a Lua confessam-me serem amantes eternos e faço disso uma canção.
Vem conhecer a praia dos meus pensamentos, soltar gargalhadas, fazer corridas, sentir o Sol, dar grandes passeios e mergulhos, fazer castelos e ser deles príncipe e fazer de mim a princesa que sou, dançar e saltar, sorrir e rir.
Vem conhecer a praia dos meus pensamentos e faz-me tua.
Adormece-me e conhece os meus sonhos. Vem saltar de nuvem em nuvem e fazer do amor eterno do Sol e da Lua o nosso amor, e fazer dele a canção da nossa dança.

Jardim de sonhos

Dentro de mim tudo foi alvoroço, dentro de mim tudo sentiu a (tua) chegada.
Dancei na palma da tua mão. Dancei para ti, mas nunca conheceste a minha dança.
Fechaste os olhos de cansaço, enquanto eu dancei na palma da tua mão, para ti.
Hoje, hoje, danço no jardim dos meus sonhos, ansiando pela palma dessa mão que se fechou.
Danço por entre rosas, de todas as cores, mas só faço piruetas ao passar pelas rosas vermelhas, por serem as rosas plantadas dos ramos que me ofereceste.
O Sol bate na minha pele branca, recria a minha dança no chão do jardim dos meus sonhos. Eu danço, a sombra dança só tu não danças nem vês dançar.
Hoje, hoje danço no jardim dos meus sonhos.

sábado, 28 de março de 2009

Tempo em tempestade

Pensamentos imensamente vazios de tão cheios. Levantar os olhos, fechar os livros, um a um, olhar mais alto, ver mais e melhor.
Procurar um outro horizonte.
Definir outros conceitos, planificar outras experiências. Sorrir só por sorrir e soltar gargalhadas até que o seu eco se perca de tão alto que as darei.
Abrir a mão deixar cair a flor, ou pétala a pétala. Abrir a mão e deixar que se perca tudo o que se perde. Fechar a mão à queda da última pétala. Implacável como a vida.
Seguir em frente, passo acelerado que atrás vem gente e tempo e eu só te quero a ti e a vocês e tempo, tempo não o tenho.
Abrir todas as janelas da casa e deixar as portas baterem, estremecer com o mundo exterior para que o interior desperte e volte a ser real. Que de tanta fragilidade congelou.
Fechar os olhos aos raios de sol que me batem de frente, abrir os olhos à noite que cai.
Perdi-me e encontrei-me, nesses abraços que de tão abertos dão-me espaço para ficar ou ir se quiser seguir a força do vento e virar costas ao que foi.