sexta-feira, 8 de julho de 2011
Caixa de Segredos
domingo, 3 de julho de 2011
Tempo
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Vento
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Noites de Inverno
Baixamos as nossas defesas e entregamo-nos ao calor que o nosso corpo recebe na ânsia de mais. A cadeira em forma de baloiço, baloiça as nossas memórias mais tristes para que adormeçam e também se entreguem ao calor da lareira, mergulhando nela para não mais voltar.Baloiçando para trás e para a frente lançamos mágoas e lágrimas e recolhemos a força da chama que nos aquece e alenta.
Procuro a tua mão e agarro-a para não mais soltar,não trocamos olhares nem palavras, mas beijas-me a mão, para nunca mais deixar de a beijar.
domingo, 16 de janeiro de 2011
Avó
Quando a noite cair, num sopro se concentrará o teu brilho na estrela que será a mais brilhante.
Nunca pensei que este momento chegasse tão repentino, numa despedida que não foi diálogo mas monólogo.
O pano caiu, mas a peça não continua, não mais continuará. Talvez noutro palco, noutro tempo, noutras cores, noutro segmento de vida por viver, de certo mais ofusco, mais frio, num conjunto de mais que são menos.
Todos os momentos que vivemos são embrulhados em laço, que insisto em desembrulhar para que te sinta mais perto, porque o frio do que nos separa é a imensidão da escuridão que nos assola.
Recordo o último beijo que te dei na testa e como temi que fosse o último...
sábado, 18 de setembro de 2010
Estrela Cadente

Em todas as noites que se seguiram àquela noite, desejei que a vida fosse mais, muito mais próxima daquele instante. O instante em que rimos num coro uníssono, em que fomos corpo e alma do mesmo sentimento,em que nos unimos numa cumplicidade única e fomos amor puro. A Lua que esta noite contemplo não é a mesma que iluminou a nossa presença, nem a mesma que juntos contemplamos.
Vagueio nas horas do dia e da noite, procuro o que verdadeiramente me move e me motiva. Vagueio em mim mesma até admitir, por fim, que tenho que continuar a viagem num espaço e tempo em que a distância que nos separa é dolorosamente real e o vazio da vossa ausência dói como uma ferida permanentemente pressionada.
A noite calma declarou guerra contra o descanso e a paz que aqui perco. Resta-me desvendar a posição das estrelas que só no reflexo do vosso olhar consigo decifrar.
À queda de uma qualquer estrela cadente pedirei que me leve no sopro de um beijo leve até vós.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Cinco
O eco deste ténue silêncio desperta-me do sono que não dormi e do sonho que não sonhei. Cada pôro da minha pele respira por si para que todos se unam num corpo uno e uníssono.
Aceito esta última dança do dia e da noite que passou e passa para que possa por fim despertar do sono que dormi e do sonho que sonhei, por fim. Só mais uma roda e entrego-me ao cansaço que enfim me assola.
Deixo que seja o Sol o meu despertador, aqueles raios que me aquecem e despertam de mim mesma, mas esta manhã insisto e resisto, não deixo que nada em mim se mova, a não ser esta vontade que cresce no meu interior, para me deixar sonhar este sonho que por ser meu, me pertence, que por o sonhar, é meu e me pertence.
O teu lado da cama está vazio, branco de esperança, vive e espera por ti para que este sonho seja agora feliz, agora e no segundo seguinte, feliz, porque o depois nada sonha ou promete e só o medo reina nesse instante que vai para além do segundo seguinte, onde tudo pode deixar de ser feliz.
Espero-te no meu lado da cama para que possa sonhar esta felicidade só mais um segundo, este que passou.
Saudades deste sonho nosso, deste nosso sonho.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Nossa Ilha
Do nevoeiro revestido de tonalidades negras surge o bafo quente da maresia que banha esta ilha de flores e cores, que aquece o corpo e a mente e faz sorrir.
Colho realizações e desejo de festejar onde antes plantei sonhos e esperanças, coloco em água para que não murchem ou morram.
Muito embora não veja o horizonte, agora mascarado de nuvens postas e sobrepostas, sei-o e isso basta-me, verdadeiramente basta-me. Assim como me basta este não fazer, este simples estar. Basta-me ser e estar nesta ilha de encantos. Basta-me ser. Basta-me estar. Basta-me respirar nesta ilha de jardins, no fundo basta-me sermos e estarmos aqui ou ali, adiante ou mais atrás. Basta-me.


