sábado, 22 de setembro de 2012

Peças

Do barulho sobrou o silêncio, da rosa as pétalas, do tempo a saudade. 
Do que é o que foi. 
O hoje fica para amanhã.


segunda-feira, 9 de julho de 2012

Incompleto

A brisa brinda a noite, arrepia a pele. Dou voltas ao vazio que ecoa no exterior da minha existência. Permaneço no silêncio de mim mesma, vivo um tempo que chega. Abro e fecho livros, janelas e portas na ânsia de encontrar rumos apaziguadores do pensar e do sentir.
    (...)

                                                    

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Horas


Há dias em que a vontade é maior do que o viver. De cada inspiração fiz esperanças renovadas, vãs de realização. Espero por mim mesma no porto de todas as chegadas (e partidas).
Corre em mim a vontade de fazer e ter um viver repleto do que  Eu Sou. Não mais me encontrei.
Tenho Saudades de mim mesma, nestes dias mornos em que flutuo nas horas que só se fazem longas na solidão do reviver do que foi, na ânsia  do que será e do que deveria ser.
Tomara Eu deixar-me adormecer ...

domingo, 4 de março de 2012

Espero

No âmago da tarde silencio inquietações, vejo o Sol pôr-se. Espero o fim do dia e da semana, espero até amanhã. Enquanto espero, lavo angústias e dores. Estendo-as ao Sol. Espero que sequem, e que a Noite as guarde.
Confesso que a cada novo dia faço do Sol promessa e da Noite realidade. O dia é todo meu, a noite é tudo menos minha. No meio de mim e do nada nasce o medo de que os dias cessem e as noites reinem, imperando um tempo em que não mais serei. Aí a dor ficará, a Noite já não a guardará por mim.
Hoje espero o amanhã, hoje espero a chegada do Sol, hoje espero a chegada de novas promessas.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Chamar

Há noites em que creio ser capaz de escrever canções de amor, melodias de embalar e poesia. Há noites que susurram a minha existência e em céus estrelados oferecem espaços a serem preenchidos. Há noites em que não escrevo para não ter de lembrar o sentir.
Hoje, fecho os olhos e sei-me capaz de escrever-te cartas de amor a tinta vermelha sobre papel branco. Hoje, fecho os olhos e sei-me apaixonada e amada.Hoje, fecho os olhos e sei-me capaz de soletrar o nosso amor. Hoje, fecho os olhos e vivo-te, revivendo-nos.
A imensidão do sentir invade-me e leva-me o fôlego. Esforço-me para manter os movimentos de inspiração e expiração, enquanto o frio da tua ausência abre feridas na pele e faz sangrar a alma. 
Em confesso cansaço da Saudade, minha, Tua, Nossa e Deles, resisto à vontade que a noite acalenta de escrever amor, é maior o medo de esvaziar-me das recordações que bombeiam a minha vida.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Paisagens

As persianas estão meias abertas, deixando a luz do dia entrar e trazer promessas, nas quais gostava de acreditar. O vento sopra de Sul e corta as asas dos sonhos que podiam voar, porque as promessas de cada novo dia desvanecem-se à medida em que nelas acredito. 
Entre paisagens ora verdes, ora amarelas, encontro as mais belas paisagens de fundo, através da meia abertura que as persianas (de)limitam. A nudez da folhagem denuncia a ausência de Primaveras mil e a promessa não concretizada da chegada do reconfortante calor do Verão. Posso escrever um conto sobre cada uma destas paisagens, abraçando um tempo que começa e termina em cada uma das palavras que o contar sem promessa de mais. 
 As paisagens sucedem-se e é como se estivesse em viagem, as persianas não se movem, servindo de tela em que pinto promessas, poucas, ricas, no sonho de as ver concretizadas no tempo finito em que sou personagem principal dessas histórias que não ganham vida porque o vento sopra de Sul e eu sou o Norte. 
Momentos há em que fecharia as persianas só para não ter de sonhar o sonho do regresso.


domingo, 25 de setembro de 2011

Esta Noite

Sento-me junto à janela, paciente, espero pela chegada da noite. A Lua é melhor conselheira do que o Sol, aconchega o soluço. As luzes estão apagadas e a brisa arrepia a pele. Aperto a chávena de chá entre as mãos, para não cair no vazio. Conto bocados de existência em espirais de recordações e constelações.
Fecho os olhos. Durante um espaço de tempo questiono a existência e a realidade.Não sei se vivi, se sonhei. Sei que senti, uma vez mais, um tempo que é sobretudo espaço, um espaço em que sigo e, por vezes, paro, espero e volto a seguir. A minha voz rompe o silêncio e conta histórias de amor, reais e fantasiadas enquanto a noite passa.


A distância não é ausência, é fria. A distância não é ausência, é estar sem.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Silêncio mudo

Entre hoje e amanhã sento-me ao piano e toco pautas que nunca vi nem aprendi. Faço soar as teclas para que possa sentir saudade do silêncio e sorrir perante a sua majestosa chegada. É este silêncio que me adormece e desperta, é este silêncio que traz a paz entre os braços, me devolve a mim própria e conta histórias sobre as minhas histórias.
Conquistei este espaço onde cresci. Fui mais além e levei partículas de existência, desta existência e sou parte do que fui e foi. Entre hoje e amanhã entrego-me a este silêncio que condiz com a noite de lua cheia e movimento-me ao ritmo das notas da pauta deste melódico silêncio, enquanto os meus dedos baloiçam sobre as teclas do piano. A luz que trazes em ti denuncia a tua chegada, sorris e convidas-me para uma dança. Estendo-te a mão e entrego-te o meu corpo.Danço contigo enquanto Tu embalas a minha alma. 
Entre hoje e amanhã conhece-me e reconhece-me mais um pouco na música deste silêncio, ao som do piano mudo.