segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O Outono chegou. Eu parti.
Longe dos dias em que o Sol aquece os sonhos e ilumina os caminhos que percorro, longe dos dias em que fui sem querer saber do tempo que passa e se perde na sua própria infinitude.
O Outono reina. Eu choro.
Quando a chuva cair das nuvens carregadas de mudança por expelir, vou fechar os olhos e segredar aos ouvidos do vento.
O Outono fica. Eu volto.
Deixo-me cair sobre as folhas caídas e descanso o cansaço que carrego e que me carrega. Deixo-me cair sobre mim mesma.
O Outono é. Eu serei.
Grito, grito alto, bem alto. Lanço vozes ensurdecedoras ao universo até que a rouquidão me cale, até que o Outono finde.
Pego em cada uma das folhas caídas e desenho o mais belo dos quadros, das paisagens que não visitei, dos cenários em que não actuei, dos dias em que não vivi vivendo. O vento sopra e tudo desfaz.
Faço de cada uma das folhas caídas tapete voador e entrego-me aos devaneios do vento, do céu, das horas e do tempo. Liberto-me das amarras do que tem de ser e suspiro pelo que pode vir a ser.
Ousar sonhar e vibrar com outras formas de ser e estar, outras formas de viver. Ousar partir sem conhecer a chegada. Ousar ser sem pensar no que foi a cada instante, sem temer o que há-de ser. Ousar ser sem medo. Ousar somente ser e...aceitar a chegada de todos os Outonos que tiveram de chegar.

sábado, 30 de março de 2013

Tempestade do Encontro

O tempo passa, mas eu não acredito no que me conta.
Aqui, nesta margem do rio, tento vislumbrar a corrente que leva o que passa. Vai.
O tempo corre, mas eu não o vivo.
Aqui, nesta margem do rio, vejo-o.

Hoje, o tempo é pesado. Dói.
Amanhã quero ver, viver, sentir.
Ontem fui eu sem saber o que sou.

Aqui, nesta magem do rio, antecipo a tempestade.
Adivinho o negrume do céu que vai chegar.

Quando a chuva cair, que caía.
Quando chegar, que chegue.

Se o meu tempo é este, que seja.
Se eu tiver de me perder para me encontrar, que me perca.




sábado, 9 de março de 2013

Perder

 Tudo é embotamento.
 Tudo é emoção por reconhecer.
 Estou debotada do que é e do que sou.
 Estou perdida nas saídas de mim mesma.
 Nada é presença.
 Nada é esperança.


Se eu quiser, o querer sem querer.
Amanhã será.





 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Dias

Há dias que nos surgem como um zumbido, ora longíquo, ora próximo. Como se tudo fosse dispar do que o dia deveria contar.
As nuvens eram escuras, carregadas, pesadas. Choveram.
O Sol era claro,simples, leve. Apagou.
O vento era fraco, linear, fugaz.Voou.
Há dias que são meros dias, que somente são.
Sentei-me à janela a adivinhar a Lua. Imaginei uma esfera acinzentada, com pequenas concavidades identificáveis a olho nu, ao perto mas não ao longe. Sentei-me e esperei.
A noite caiu num longo pano que se fez escuro, para mim era claro. Com aguarelas pintei as estrelas e a Lua, as estrelas a cinzento e a Lua a amarelo. Sentei-me, esperei e sonhei a noite.
Há dias que nos surgem como gravuras por colorir, espaços por desenhar, vida por viver.
Hoje, a Lua está amarela e os meus olhos cintilantes.
Sentada, espero a Sonhar(-me).
O dia foi.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Tu Sol




















Fecho os olhos e o Sol chega. Aquece a pele, clareia a existência. Trato-o por Tu e peço-lhe o embalo das tardes quentes de Verão.
Fecho os olhos e quero Ser sem medo do que há-de vir, sem chorar o que foi.
Fechos os olhos sem adormecer o pensar e o sentir. Revivo o viver presente, torno-o passado do presente.
Fecho os olhos e tudo em mim é ausência.
Fecho os olhos e vejo.





sábado, 22 de setembro de 2012

Peças

Do barulho sobrou o silêncio, da rosa as pétalas, do tempo a saudade. 
Do que é o que foi. 
O hoje fica para amanhã.


segunda-feira, 9 de julho de 2012

Incompleto

A brisa brinda a noite, arrepia a pele. Dou voltas ao vazio que ecoa no exterior da minha existência. Permaneço no silêncio de mim mesma, vivo um tempo que chega. Abro e fecho livros, janelas e portas na ânsia de encontrar rumos apaziguadores do pensar e do sentir.
    (...)

                                                    

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Horas


Há dias em que a vontade é maior do que o viver. De cada inspiração fiz esperanças renovadas, vãs de realização. Espero por mim mesma no porto de todas as chegadas (e partidas).
Corre em mim a vontade de fazer e ter um viver repleto do que  Eu Sou. Não mais me encontrei.
Tenho Saudades de mim mesma, nestes dias mornos em que flutuo nas horas que só se fazem longas na solidão do reviver do que foi, na ânsia  do que será e do que deveria ser.
Tomara Eu deixar-me adormecer ...